Diga-me se estou errado. É cristão porque nasceu no Brasil. Se tivesse nascido na Arábia seria muçulmano, e estaria de rosto no chão voltado para Meca, e se tivesse nascido em Israel, estaria batendo a cabeça no muro das lamentações certo? Se tivesse nascido na tribo de índios estaria dançando a dança da chuva. Estou errado? Por que então a sua está certa e a dos outros errada? Foste você tão privilegiado assim por ter nascido no lugar certo? E os pobres coitados foram tão azarados de terem nascido no lugar errado?
N.S.
Ninguém está certo ou errado por ter nascido em determinado lugar ou por pertencer a determinada religião. Caráter, justiça, piedade e amor não dependem de religião ou ideologia. E se essas virtudes são tão superiores a ponto de serem independentes de religião, quanto mais será Deus que é a fonte dessas virtudes. Assim, a religião imaculada para Deus não depende de região, cultura ou ideologia, mas do coração do homem que a pratica.
Veja o que é a religião aceitável a Deus, segundo a Bíblia:
“A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta:
Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da
corrupção do mundo.” (Tiago 1:27 ).
Como percebe irmão (porque, se
você faz essas coisas, independente de ser cristão, islâmico, ateu ou budista,
você é meu irmão em Cristo, e se não o conhece ainda, fique certo de que há de
ser encontrado e ajuntado ao seu rebanho). Todo o resto (religião) são coisas
de homens.
Falando em religião, você está
certo, se não tivesse nascido em um país cristão, talvez eu não tivesse algum
dia pertencido ao cristianismo (falo assim porque hoje já não pertenço mais ao
cristianismo). Eu poderia ter sido muçulmano, hindu ou até ateu.
Mas falando de Deus, independente
de algum dia eu ter sido muçulmano, hindu ou cristão, eu com certeza o teria
conhecido, pois ele é Deus, e não um deus de barro ou de bronze, criado por
mãos humanas, sendo assim, como pode o Criador depender da criação da sua
criatura (religião) para se dar a conhecer a quem Ele quiser?
Deus não tem sua ação limitada a um sistema de dogmas e doutrinas. Deus não depende de seus “representantes” para atuar na Terra. Se o homem não é dono do
vento, quanto mais será do Criador do vento. Se o homem não distingue onde o
vento vai soprar, quanto mais o fará com o Criador do vento.
Homens como Abraão, Jó, Noé, e o
grego Epimênides, serviram a Deus e nunca pertenceram a uma religião. Eles
foram humildes, e reconheceram que há algo maior que a Criação, e chamaram de
Deus a força que eles não podiam explicar. Prestaram culto a Deus da forma mais
humilde possível: praticando a justiça e a piedade. Assim como queriam ser
tratados, eles tratavam o seu próximo. E assim, sem conhecer a Deus
pessoalmente, ou ter qualquer prova de que ele existia, esses homens foram
humildes para reconhecer a possibilidade de existir algo maior que eles, e que
esse algo maior que eles se importava com eles, pois levantava todos os dias o
Sol para aquecê-los. Assim, mostraram que não precisa
pertencer a uma religião para agradar a Deus, e Deus, se agradando da
humildade, da mansidão, da piedade e da justiça desses homens, se apresentou a
eles, tal como se apresentou a mim, e tal como pode também se apresentar a
você.
Não falo de um deus de barro, ou de uma sistematização da
divindade criada por homens, coisas que sim, teriam minha crença vinculada à
cultura onde nasci e fui criado. Mas falo de um Deus vivo, mais livre que o
vento, e mais impetuoso que a tempestade, e que templo ou sistema de dogmas
poderia conter tamanha majestade? Mas esse Deus, impetuoso demais para caber em
qualquer templo ou religião, se faz leve como uma brisa para caber no
coraçãozinho mais manso e humilde que o busca. Nesse contexto, a religião é
como uma criança que tenta saltar para o colo do pai, que em pé, se torna
inalcançável. Mas o que busca Deus com coração manso e humilde, praticando a
justiça e a piedade, pede colo ao pai, e ele se ajoelha e o toma nos braços.
Nesse contexto, a religião é como construir a Torre de Babel para subir até
Deus, quando Deus se dispõe a descer até nós como Jesus Cristo.
“Acordei em um quarto arrumado, e ao lado da
minha cama estava servido um delicioso desjejum. Eu não fiz nada para merecer
isso, e nem mesmo havia pedido. Foi então para mim, uma Graça que recebi. Não
sabia quem preparou tudo isso, ou mesmo se alguém havia preparado. Não sabendo
quem preparou, passei a tratar com a mesma hospitalidade todo aquele que
encontrava, pensando assim: pode ser qualquer um desses.”.
Essa é a expressão de um coração
humilde que não conhece Deus, que nem mesmo sabe se há Deus, mas cujo coração
já pertence a Deus, e Deus há de ajuntá-lo ao seu rebanho.
Talvez se eu não tivesse nascido
no Brasil, eu não pertenceria ao cristianismo, como não pertenço, mas com a
mesma certeza de que vivo, eu teria conhecido a Deus e a Jesus Cristo.
Nasci no Brasil, mas me converti
do ateísmo a Jesus Cristo. Nascer em um país cristão não me impediu de ser
ateu. Assim como nascer em um país muçulmano não me impediria de conhecer a
Deus. Quando eu pertencia ao cristianismo, eu já era ateu em meu coração. Mas
ainda não havia recebido o conhecimento para me tornar exteriormente ateu. E
foi somente me tornando ateu, que ironicamente me aproximei de Deus. Tal como
eu, há muitos que já tem em seu coração o discipulado de Jesus, mas que
exteriormente ainda não receberam o conhecimento. Mas Deus julga o coração dos
homens, e se ele levanta todos os dias o Sol para nos aquecer, com certeza
haverá de dar seu conhecimento e sua sabedoria para esses homens de bom
coração.
Nem todos os discípulos de Jesus
pertencem ao cristianismo. Há muitos deles espalhados como islâmicos, budistas,
e até ateus. O que te torna um discípulo do Senhor não é uma denominação
religiosa, mas fazer a vontade do Pai que está nos Céus.
Quando se tem o coração manso e
humilde, é questão de tempo o conhecimento de Deus, mas não a sua filiação,
pois desde já é filho de Deus. E não faço questão de pertencer ao cristianismo,
mas de ser filho de Deus.
Quem pratica a justiça e ama o
seu irmão, é filho de Deus. Nem todos os filhos estão na casa do Pai, mas esse
prometeu que como pastor ajuntaria todas as suas ovelhas, estejam onde
estiverem. A mesma Palavra que promete isso, é que mantém a ordem do Universo,
e que deu ordem para as batidas do meu coração, e que encheu os meus pulmões de
vida. Antes da Palavra do Senhor não se cumprir, os Céus desabariam como água
sobre nossas cabeças. A minha vida é testemunha de que sua Palavra é Verdade, e
que se cumprirá na vida de todos os filhos de Deus. E Ele os ajuntará, nem que
seja como Raabe, que passou toda a sua vida como prostituta, e recebeu a sua
salvação no dia em que escondeu em sua casa os filhos de Israel, os ajuntará
para si, nem que seja no momento da sua morte, nas suas últimas horas de vida,
como aquele ladrão que morreu ao lado do Senhor, os ajuntará para si, nem que
seja no final dos tempos, depois da morte, quando supostamente não haveria
esperança, e quando assim sucederá a eles:
“Quando eu, o Filho do Homem, vier na minha glória com todos os anjos, então sentar-me-ei no meu trono glorioso, e todas as nações serão reunidas diante de mim. Separarei o povo como um pastor aparta as ovelhas das cabras, e porei as ovelhas à minha direita e as cabras à minha esquerda. E então eu, o rei, direi aos que estiverem à minha direita: 'Venham, filhos felizes do meu Pai, para o reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo. Porque tive fome e deram-me de comer; tive sede e deram-me água; era estranho e convidaram-me para vossas casas; andava nu e vestiram-me; estive doente e cuidaram de mim; estive na prisão e visitaram-me”.
“Esses
homens justos perguntarão: 'Senhor, quando foi que alguma vez te vimos com fome
e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? Ou, sendo um estranho, te
hospedamos? Ou nu, te vestimos? Quando te vimos alguma vez doente, ou na
prisão, e te visitamos?”
“E eu, o
rei, lhes direi: 'Quando fizeram isso a um destes meus mais insignificantes
irmãos, a mim o fizeram!”


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