Deus sabia que Adão ia comer o fruto? Se não, então ele não é
onisciente. Ouvi dizer que ele só prevê o futuro quando quer, mas isso é
ridículo, pois se até eu posso prever algumas ações das pessoas,
imagina ele que é Todo-Poderoso. Se sim, então ele foi o responsável por
todo esse mal que estamos passando, afinal, criou um caminho para o
mal.
Anônimo,
Você,
sabendo dos perigos do mundo, manteria seu filho acorrentado dentro de
casa para protege-lo? Você, ciente que seu filho vai fechar os ouvidos
para os seus conselhos, e que vai preferir ouvir seus amigos imaturos,
vai experimentar a dor, a decepção, o choro, as agonias, os perigos da
vida jovem, manteria seu filho constantemente dopado e incapaz de pensar
por si próprio? Isso seria vida? Não seria melhor adotar um animal de
estimação? Pois é isso que o seu filho seria. Deus já fez isso que esperava que ele fizesse (tirar a "Árvore do Bem e do Mal"). E o resultado disso são os animais. Você deixaria de ter um filho por causa da maldade do mundo, e porque tem ciência (assim como Deus, onisciente, tenha ciência do que o homem faria), de que em determinada fase da sua vida (puberdade), ele faria escolhas erradas?
Por isso lhe digo, uma das maiores obras de Deus, foi criar algo que ele mesmo escolheu não poder controlar (o homem).
Sendo onisciente, Deus já sabia
que seus filhos comeriam da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, assim como
já sabia da necessidade da Cruz como as “dores de parto” para gerar seus
filhos. Por isso, o Cordeiro já fora imolado antes da fundação do mundo, pois
da Cruz Deus explodiu a vida para toda a existência. A crucificação que
presenciamos é uma percepção no tempo-linear de um evento histórico que
representa algo muito maior, além do espaço-tempo mensurável, decidido e
sofrido pelo Criador muito antes da vida se manifestar na Terra e nos Céus,
sofrida por Aquele em quem o passado, presente e futuro acontecem ao mesmo
tempo.
Ora, a Árvore do Conhecimento do
Bem e do Mal não representa uma “armadilha” para os habitantes do Éden, mas ela
é a representação da “liberdade” do homem, a sua “diferenciação dos animais”,
que obedecem aos regulamentos de Deus por instinto, sem a alternativa da
“Árvore do Bem e do Mal” para decidirem viver sem Deus, para saírem do Paraíso
e viver lá fora. A árvore é a simbolização da opção oferecida para os homens e
os anjos, o fruto que Satanás comeu antes da árvore ser plantada no Éden, e que
estará presente no Paraíso preparado para nós, pois sem ela, nosso amor ao
Criador não será verdadeiro e voluntário, mas sem ter para onde ir, sem haver a
opção de não ser, a vida não seria um presente dado para ser recebido, mas
imposto sem poder ser recusado.
Ele
criou o homem, do
homem, criou a mulher, da mulher nasceu Deus e renasceram os homens,
estando
Deus se inserindo na criação para reconciliar toda a existência com Ele
mesmo. Seria Deus injusto se tivesse imposto esse fardo somente para
nós, mas Ele mesmo se inseriu na Criação para carregar o fardo de toda a
humanidade.
O Governador se torna
parte da obra, não porque a obra precise do Governador por ser imperfeita, mas
por que a “posição de governador” faz parte do projeto da Obra Perfeita. Um
relógio não tem uma fonte de energia? Isso quer dizer que ele é imperfeito?
Claro que não. A planta da “criação perfeita” contemplava uma “fonte de energia”
para o “relógio”. A planta da criação perfeita contemplava um cérebro para o
corpo, um DNA para a célula, um governante para a criação. Isso não torna o
governante necessário por causa da imperfeição, mas torna ele uma peça que
compõe a perfeição, da qual, se retirada, torna a obra imperfeita. Não só o
governante, mas se tirar também um braço (a lei da gravidade, por exemplo), ao
invés do cérebro (Deus como governante), torna a obra imperfeita, o que não
implica em dizer que a necessidade do braço torna a obra imperfeita, visto que
o braço foi “projetado” para a obra perfeita, tanto quanto o cérebro.
Isso mostra que ele é justo e bom: ele não
obriga ninguém a aceitá-lo como governante, mas permite a quem quiser, governar
a si próprio (o significado da Árvore do Bem e do Mal), e a quem quiser,
acolhe-lo como governante (o caminho de Jesus), pois ele se coloca como mais uma “peça” da
“máquina perfeita”, a fonte de energia.
Nisso tudo,
o mal é uma palmada na criança para ela não colocar a mão na tomada novamente,
para que venha a se desenvolver e se tornar perfeita. A obra perfeita tem em
seu projeto o desenvolvimento da consciência, e não uma consciência imposta. Nisso
tudo, o mal é a sombra que se projeta da luz, e o frio que se projeta nos
lugares onde há a ausência de energia térmica, o exemplo do efeito de se tirar
a “peça” governante que faz a “máquina perfeita”, para que futuramente, à Luz
da Verdade, todos estejam cientes de como funciona a “máquina perfeita”, e
possam fazer a escolha conscientemente, com amor voluntário, e não forçado, de
aceitar ou não o presente (seria sim um tirano, se obrigassem todos a dividirem
a vida com ele). Nisso tudo, a dor produzida pelo mal será tão forte e
duradoura como a dor da palmada que recebeste quando criança, e que em tantos
anos de vida, não consegue mais lembrar. Quanto mais se lembrará de anos de dor
na Eternidade? Quanto vale um dia para uma criança de dois dias de vida? Quanto
vale oitenta anos para a Eternidade?
Por
enquanto, você pode optar por viver longe da fonte de energia (no mal), mas no
final, toda a história de sofrimento dos homens será uma história educativa
contada por Deus, onde nós vivemos sentimos a história na pele (como um
programa de realidade virtual), para aprendermos como funciona a “máquina
perfeita” sem a “peça” governante, para que então, possamos escolher
conscientemente, sem traumas, sem ignorância, sem os pesos históricos e
culturais, sem as imperfeições da carne, na Luz da Verdade, se desejamos fazer
parte dela, se desejamos aceitar esse presente, com amor voluntário, ou não.


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