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terça-feira, 12 de março de 2013

SOBRE OS CRISTÃOS NA POLÍTICA.

O que acha sobre os cristãos na política? Sobre essa guerra que está se levantando entre os militantes gays e os "fundamentalistas cristãos"? Devemos ser neutros e aceitar essa pouca vergonha que vem sendo defendida por essas militâncias? Como cidadãos não temos o direito de defender nossa família e nossos princípios?
 Edir

Quando a igreja ganha corpo e começa a se assentar na assembléia das feras, deixa de ser espiritual e se prostitui (sai dela povo meu). Ela deixa de ser espiritual para ganhar corpo e julgar nesse mundo, e assim também ganha corpo para ser pisada nesse mundo, e será julgada nesse mundo. A igreja se esqueceu que Davi preferiu cair nas mãos de Deus à cair nas mãos dos homens, porque Deus é justo, santo e bom. Mas a igreja tem escolhido ser julgada por homens.

Jesus nunca se envolveu em conflitos políticos, sempre respeitou as leis e se manteve neutro, imparcial, dando a Deus o que é de Deus, e a Cézar o que é de Cézar. Disse: meu Reino não é desse mundo. E que o mundo jaz no maligno. Disse que o governante desse mundo é Satanás, o mesmo que lhe ofereceu o mundo quando o tentava no deserto. Afinal por que Jesus iria tentar “melhorar a admnistração de Satanás”? Sim, pois os políticos governam com a “permissão de Deus”, não com a sua aprovação, é uma provisão até que venha o governo justo do Reino de Deus. Por que gastar tempo na reforma desse prédio velho que está prestes a cair? Isso é perder o tempo que deveria ser usado para construir o novo prédio. É prolongar o governo de Satanás na Terra.

Não ouso julgar os crentes políticos, pois carregam um fardo que não ajudo a carregar, pois todo aquele que se coloca entre os governantes desse mundo sobe a um lugar muito alto, muito próximo do martelo da justiça de Deus. Que sejam justos, pois respondem pelas vidas de muitos. Como não ouso ajudá-los a carregar esse fardo, não vou julgá-los.

Quanto aos militantes que lutam "contra a moral dos crentes", muito menos eu posso julgá-los. Como posso julgar um cego por tropeçar? E como posso me irritar por um surdo não ouvir minhas orientações? Não deveria eu me preocupar em lhes devolver a visão e a audição, para aí sim, julgar seus passos?

Portanto, minha resposta para essas discussões é a mesma de Jesus: deixar de me preocupar com o mal que não posso evitar, e fazer o bem que eu posso fazer, pois o pior mal que se faz é quando se deixa de fazer o bem que está ao alcance de suas mãos.

O pior mal que faço é quando julgo os políticos africanos e o capitalismo pela fome na África enquanto ironicamente há um menino vendendo balas em uma rua próxima à minha casa e eu nada faço. É quando condeno o aborto e não adoto crianças, não ajudo orfanatos. Há crianças que não se importam em ter pais homossexuais, que desejam ser amadas, e o pior mal que faço é quando as impeço de ter amor, e eu mesmo não o dou. Se não quer entregá-los para quem os deseja amar, e você acha que não são dignos de dar amor, dê amor você, dê amor a essas crianças. Mas como pode tirar um alimento vencido de sua mão e não lhe dar nada em troca? Por acaso uma indisposição é menos cruel do que morrer de fome? Vejam, o mal não é tirar o alimento vencido de sua mão, mas deixar de dar outro em troca.

Pelo mal que não pode evitar, não pode ser julgado, mas pelo bem que está às suas mãos fazer é que será julgado. Por isso o servo que escondeu a moeda foi julgado, pois se preocupou em não fazer o mal (não perder a moeda), e deixou de fazer o bem (investir e multiplicar as moedas). Por isso o devedor injusto foi lançado na prisão, pois foi perdoado do mal que não pode evitar (suas dívidas), e deixou de fazer o bem que podia fazer (perdoar aquele que lhe devia).

Portanto irmãozinho, essa é a minha resposta: me preocupar com o bem que posso fazer.

A sociedade não cria meus filhos, sou eu quem os crio. A pergunta é: em quem seu filho se espelha, em você ou na sociedade? É um bom espelho para ele? Ou ele tem mais admiração pelos que estão fora da sua casa? Nesse caso, aí está sua preocupação. Pois se deixa a criação dos seus filhos para a babá (sociedade), é claro que vai se preocupar se ela não é uma boa educadora. Mas lembra-te, a babá já está grande e já foi educada, mas é o seu filho quem precisa de você.

Se está preocupado com a imoralidade que a sociedade pode passar para seus filhos, é porque ela é quem cumpre o papel de educadora na sua casa. Então, está preocupado com o mal que não pode evitar (O aumento do que é contra a lei, o esfriamento do amor, profetizados por Jesus. Quer evitar que a profecia de Jesus se cumpra?), e deixando de fazer o bem que pode fazer (ser exemplo para o seu filho).

Claro que devo exercer meus direitos de cidadão, mas não gastarei mais tempo nessa causa perdida do que em uma que me garante a vida (a pregação das Boas Novas).

Jesus precisava comer e beber enquanto esteve na Terra. Mas ele não vivia para comer e beber, mas comia e bebia para viver e pregar o Evangelho.

Preciso viver no prédio velho, e enquanto o novo não está pronto, deverei cuidar dele. Mas jamais gastarei mais tempo que o necessário, e nunca tirar tempo que seria usado na construção do novo para reformar o velho.

Mas veja o que temos feito:

"Agimos como heróis. Somos os guerreiros que irão livrar a sociedade do homossexualismo, do aborto, da fornicação, infringindo a Lei de um estado que deveria ser laico, achando que Deus precisa de “soldados” para consertar um governo que já está destinado a virar pó. Como se Deus precisasse de “Pedros” para cortar as orelhas dos soldados romanos. Como se Deus precisasse de “Elias” para defender seu Nome. Acham que o homossexualismo vai destruir a Bíblia, tal como o Império Romano não fez. Lutaram os cristãos contra o Império Romano? Ou permaneceram se importando com os corações dos homens, pregando, vivendo vidas exemplares e cheias de amor, pregando o amor quando Roma lhes pregava o ódio? Mesmo em sua cruel tribulação não há registro de cristãos se empenhando na luta contra o Império Romano, mas sim persistindo em divulgar as boas novas. A Bíblia foi destruída pelo Império Romano? Mas hoje, os cristãos mesmo cheios de pecado não se chocam com uma criança passando fome, jamais deixariam de comprar um ipad para alimentar um mendigo, jamais convidariam um mendigo para comer à sua mesa, passando em carros importados, olham para o mendigo e não se chocam, mas soltam gritos de guerra se ali estiverem dois homens se beijando. Para eles assim é: “o homem não precisa de ninguém para tirá-lo da lama, mas precisa de instrutores para lhe ensinar que não pode beijar outro homem”. Deus não precisa dele para alimentar os famintos, mas precisa dele para combater os ateus e homossexuais. Deus não precisa de uma mão para entregar o pão, mas precisa de mãos fortes para segurar uma espada".

Infelizmente, há pais hoje em dia que deixam a educação de seus filhos para a mídia e para a sociedade, seja por que trabalham muito, por que não tem tempo, ou por que não sabem ser exemplo para seus filhos. Então, ficam indignados com a devassidão da sociedade, afinal, quem está educando seus filhos é a sociedade, então eles reclamam e protestam contra a “babá” dos seus filhos, pois ela não os está educando adequadamente.

Portanto irmãozinho, leia esse texto e o pratique, e faça o bem:

“Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Deuteronômio 6:6-7).

O povo de Deus já está acostumado a viver em ambientes de degradação moral, pois não vive o nosso espírito na carne corrompida pelo pecado? Evitar o pecado da carne é impossível, mas é possível alimentar o espírito para que esse vença a carne. Se concentrar em "melhorar a sociedade" é se concentrar em evitar o pecado, e deixar de alimentar o espírito. É uma causa perdida. Mas se concentra suas forças em alimentar o espírito (pregar as Boas Novas), vence a carne.

Quem guarda as palavras de Jesus no coração as guarda e ensina nas terras estrangeiras (Abraão), em Babilônia (Daniel), em Sodoma e Gomorra (Ló), no deserto (Moisés), e até mesmo quando não há Lei ou mandamento, ou nenhum sacerdote ou pastor para vigiá-los (Abel).
 
Quanto aos militantes "pecadores" (coloco entre aspas porque não me vejo diferente deles, mas somente uso o "jargão" dos crentes), faço como Jesus, que não criticou nem acusou Zaqueu e nem o seu pecado e nem o seu comportamento (como dizem alguns hipócritas: julgo e condeno o pecado, não o pecador, condeno a prática), mas entrou em sua casa e comeu com ele, como um amigo. O próprio Zaqueu se arrependeu espontaneamente, porque viu em Jesus a Face de Deus, viu amor, sem preconceito, sem moralismos.

Criticar o comportamento não vai ajudar, eles já tem isso desde crianças, nas piadinhas na TV, dos pais, dos amiguinhos. Vamos ser mais sal nas feridas deles? Mais um para lhes apontar o dedo? Afinal, Deus te chamou para ser o sal do mundo, ou o sal nas feridas deles?

Por isso digo, todo o mal que vemos é gerado pelo bem que não fazemos. Portanto, não aponte o dedo para onde sua mão não alcança para ajudar, mas faça o bem, e aproveite bem o tempo que lhe é dado.
A Paz


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